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COVID-19, diabetes e crianças: especialista portuguesa dá palestra na EASD 2020

COVID-19, diabetes e crianças: especialista portuguesa dá palestra na EASD 2020

A Prof.ª Doutora Catarina Limbert, especialista em Endocrinologia e Diabetes Pediátrica no Hospital de Dona Estefânia, foi a única portuguesa proferir uma palestra durante a versão virtual da EASD 2020, tendo avançado à News Farma alguns dos tópicos abordados na sessão intitulada “What have we learned from COVID-19 in persons with type 1 diabetes?”. Assista às declarações em vídeo.

Vídeo

Durante a comunicação, a Prof.ª Doutora Catarina Limbert chamou a atenção para “aspetos preocupantes, que surgiram há pouco tempo”. Focou a evidência científica em investigações, como por exemplo um paper publicado no New England baseado num estudo populacional com mais de 20 mil casos de mortes relacionadas com a COVID-19, em que distinguiram pela primeira vez a diabetes tipo 1 (DMT1) e diabetes tipo 2 (DMT2). “Já sabíamos que a diabetes era uma comorbilidade muito importante como risco de mortalidade e gravidade da COVID-19. Ou seja, a mortalidade era mais elevada em pessoas com diabetes. Não se fazia a distinção do tipo de diabetes mas percebeu-se que as pessoas com diabetes tipo 1 estavam em maior risco de morte quando infetadas com o novo coronavírus e isto foi motivo de alarme”, referiu. Porém, ressalvou, que a comunidade científica já percebeu qual o grupo mais afetado: “Têm mais de 50 anos, tempo de duração de doença superior a 20 anos e controlo insuficiente.”
A especialista também focou a possibilidade do novo coronavírus poder desencadear DMT1, tendo como referência estudos, especialmente um que foi realizado no Norte de Inglaterra. Por outro lado, “outros estudos, mais alargados, mostram que não é verdade. Ainda não há certeza”, disse e avançou que em termos de certeza há a de que “as formas de apresentação se tornaram ainda mais graves durante a pandemia. Demonstra o impacto em termos de saúde pública e do acesso aos cuidados durante o lockdown”.
Outro tópico foi a COVID-19 na criança. “Há estudos que demonstram que as crianças são pouco suscetíveis à infeção por SARS-CoV-2. Num estudo com mais de 200 mil casos positivos, realizado nos EUA, apenas 1,7% dos infetados eram crianças”, disse a pediatra que explicou na palestra as razões por que as crianças são menos contagiadas e menos infetadas. “Está relacionado com o número de recetores para o vírus, que é muito menor que nos adultos e toda a anatomia, virologia e imunologia da criança, que é totalmente diferente da do adulto. Temos de ter isso em conta.”
Uma das grandes discussões da palestra da Prof.ª Doutora Catarina Limbert foi sobre o grau de agressividade do coronavírus no sentido de poder ter alguns efeitos nas células betas e levar a uma destruição dessas células, que nos casos em que há iminência da diabetes, ela aparece mesmo.
Por fim, na entrevista que concedeu à News Farma, a pediatra salientou as oportunidades que surgiram durante a pandemia, como a prestação de cuidados em formato virtual. “Devemos aproveitar as oportunidades para alavancar a medicina moderna, sobretudo a medicina ligada à diabetes da criança cujo ambiente é mais tecnológico e flexível. Temos muitas ferramentas e podemos melhorar”, comentou.

quarta-feira, 23 setembro 2020 17:44
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