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Qual a relação entre o sistema gastrointestinal e a disfunção metabólica no fígado?

Qual a relação entre o sistema gastrointestinal e a disfunção metabólica no fígado?

“Serum levels of the Zonulin family of peptides in individuals from the PREVADIAB 2 cohort, a role in metabolic dysfunction” é o título do trabalho apresentado em formato de póster, pela Doutora Inês Sousa-Lima, no âmbito da EASD 2020. Em declarações à News Farma, a investigadora refere que este estudo permitiu constatar a associação entre os níveis circulantes de uma “família de proteínas tipicamente associadas a alterações da permeabilidade intestinal” e a presença de fígado gordo. Veja o vídeo.

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A investigadora pós-doutorada no Centro de Estudos de Doenças Crónicas explicou à News Farma que este trabalho de investigação teve como objetivo perceber o que se passa no eixo entre o sistema gastrointestinal e a disfunção metabólica que pode acontecer no fígado. Isto porque, nas suas palavras, “as doenças metabólicas, das quais fazem parte a diabetes e a obesidade, têm também um outro tipo de doenças associadas. É o caso (neste trabalho) da doença hepática não alcoólica ou o chamado fígado gordo”.
Nesta investigação foram utilizadas amostras de soro humanas, recolhidas após jejum noturno, para “tentar perceber se os níveis circulantes de uma família de proteínas, que são tipicamente associadas a alterações da permeabilidade intestinal, poderiam elas próprias refletir alterações ao nível da doença hepática”, disse a Doutora Inês Sousa-Lima, mencionando ainda que o fator iniciador da doença hepática não alcoólica é o consumo de doenças hipercalóricas, muito ricas em lípidos, hidratos de carbono, muito habituais na sociedade ocidental.
“A conclusão a que chegámos é que esta família de proteínas está de facto associada a esta doença do fígado gordo. Ou seja, quando temos níveis circulantes no soro desta proteína aumentados eles traduzem com um índice de fígado gordo também ele aumentado”, indicou a investigadora, frisando a novidade do póster: “Conseguimos perceber que existe uma relação destas proteínas com um aumento da glicemia aos 30 minutos na prova de tolerância à glucose oral. Portanto, conseguimos de alguma forma a desbravar um caminho, que nos diz que quando temos alterações ao nível intestinal, vamos ter mudanças ao nível do metabolismo da glucose e ao nível do desenvolvimento e progressão desta doença hepática associada ao consumo de dietas hipercalóricas”.
No fim das suas declarações, a Doutora Inês Sousa-Lima realçou ainda as mais-valias deste tipo de trabalhos na Reunião Anual da EASD, tais como, a “discussão entre pares” e a perceção relativamente ao desenvolvimento de uma “hipótese totalmente inovadora” ou se já está em curso um projeto semelhante noutro país, para troca de ideias e criação de pontes para eventuais colaborações.

quarta-feira, 23 setembro 2020 17:31
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