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Inibidores SGLT2: ensaios clínicos de outcomes cardiovasculares e renais em destaque no simpósio EASD/ESC

Inibidores SGLT2: ensaios clínicos de outcomes cardiovasculares e renais em destaque no simpósio EASD/ESC

“The dawn of CV risk reduction in type 2 diabetes: 5 years of SGLT2i CV outcome trials” foi o tema do simpósio organizado em conjunto pela European Association for the Study of Diabetes (EASD) e pela European Society of Cardiology (ESC), que decorreu na manhã de ontem, e juntou um painel de especialistas de renome para falar sobre o desenvolvimento dos inibidores SGLT2 e toda a informação dos vários ensaios clínicos que têm demonstrado mais-valias que vão além do tratamento da diabetes.

A primeira apresentação foi da responsabilidade do Prof. Dr. Bernard Zinman, professor de Medicina na Universidade de Toronto, que abordou a história do desenvolvimento dos inibidores SGLT2, que surgiram como terapêuticas para o tratamento da diabetes tipo 2 com um mecanismo de redução dos níveis de glucose diferente das outras classes de antidiabéticos. Além de melhorarem o controlo glicémico, estes fármacos foram associados à redução de peso e ao não aumento do risco de hipoglicemia.
Também durante a sua palestra, o investigador sénior do Lunenfeld-Tanenbaum Research Institute, Mount Sinai Hospital, mencionou o estudo EMPA-REG OUTCOME que, em 2015, “demonstrou pela primeira vez que uma terapêutica para a diabetes podia também alterar significativamente o desenvolvimento de complicações cardiovasculares e renais associadas à diabetes tipo 2, independentemente do seu potencial de redução da glucose”. Com a publicação do EMPA-REG OUTCOME, houve uma mudança obrigatória “nas guidelines do tratamento e no standard of care para a diabetes tipo 2”.
Depois do EMPA-REG OUTCOME, muitos outros estudos foram sendo publicados, acabando por reforçar os efeitos dos inibidores SGLT2 nos outcomes cardiovasculares. E este foi exatamente o ponto de partida da apresentação do Prof. Dr. Darren K. McGuire, docente no Departamento de Medicina Interna da UT Southwestern Medical Center (Texas, EUA), intitulada “Accumulated CV data from SGLT2i outcomes trials”
Por sua vez, o Prof. Dr. Nikolaus Marx, docente de Medicina e Cardiologia da University Hospital Aachen (Alemanha) centrou-se nos “Mechanistic insights for CV benefits”, já que “embora a redução da glucose e da pressão arterial possa contribuir para os benefícios observados com os inibidores SGLT2, é improvável que expliquem ‘sozinhos’ a redução nos outcomes cardiovasculares, nomeadamente, os relacionados com a insuficiência cardíaca. Desta forma, o palestrante indicou outros mecanismos que poderão estar relacionados com a proteção cardiovascular dos inibidores SGLT2, tais como:
• Natriurese;
• Redução do edema intersticial;
• Pré-carga e pós-carga reduzidas, e redução do stress na parede do ventrículo esquerdo;
• Melhoria da função renal e da fisiologia cardio-renal;
• Inibição da troca sódio-hidrogénio cardíaca;
• Melhoria da bioenergia cardíaca.

Olhando exatamente para o rim, o Prof. Dr. Christoph Wanner, da Würzburg University Clinic (Alemanha), colocou em evidência toda a “Accumulated renal data from SGLT2i outcomes trials”, expondo o que foi observado em termos de outcomes renais nos ensaios clínicos de outcomes cardiovasculares, nos estudos apenas desenhados para se avaliar o efeito dos inibidores SGLT2 na insuficiência cardíaca, bem como os dedicados aos outcomes renais.
Quantos aos mecanismos responsáveis pela proteção renal dos inibidores SGLT2, o Prof. Dr. David Z. Cherney, da Universidade de Toronto (Canadá) explicou alguns dos efeitos desta classe farmacológica na hemodinâmica do rim, vias inflamatórias, hipóxia e substratos energéticos, que podem desempenhar um papel nas melhorias observadas nos outcomes renais. Além disso, o palestrante colocou a hipótese de haver potencial para que estes mecanismos, combinados com os de outras terapêuticas como os antagonistas dos recetores mineralocorticoides, possam trazer um benefício sinérgico no tratamento da doença renal.
Finalmente, o Prof. Dr. Silvio E. Inzucchi, da Yale University School of Medicine (EUA), enalteceu a forma como os inibidores SGLT2 e os efeitos cardiovasculares e renais, descritos pelos anteriores oradores, mudaram o paradigma do tratamento da diabetes tipo 2, o que levou a mudanças nas guidelines e em documentos de consenso das várias sociedades, nos últimos três anos. Mais ainda, o especialista referiu ainda que, atualmente, diabetologistas, cardiologistas e nefrologistas, estão a começar a trabalhar em conjunto para que sejam elaboradas novas guidelines para o tratamento da diabetes tipo 2 e as complicações associadas. Para concluir, o Prof. Dr. Silvio E. Inzucchi citou alguns dos estudos na área da insuficiência cardíaca e da doença renal que estão a decorrer e que vão dar novas informações sobre os inibidores SGLT2, como o EMPEROR-Preserved (empagliflozina em doentes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada, com e sem diabetes), o DELIVER e o EMPA-KIDNEY.

quinta-feira, 24 setembro 2020 18:47
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